Sete olhares que compõem o estúdio: quem projeta a arquitetura do MIDA
Um retrato da equipe por trás dos projetos autorais do escritório — do fundador aos estagiários. Como sensibilidades muito diferentes viram um só estúdio.
Todo projeto autoral carrega uma contradição confortável: por mais que a assinatura seja individual, a casa que chega até o cliente é sempre resultado de várias mãos e várias cabeças pensando junto. No MIDA, essa contradição é a matéria-prima do trabalho.
Somos sete pessoas em Uberlândia — quatro arquitetos, uma diretora de arte, dois estagiários. Cada um chegou por um caminho diferente, olha para a arquitetura por uma lente diferente, e é justamente essa diferença que faz o estúdio funcionar. Este texto é um retrato honesto de quem está por trás de cada projeto.
Michell Damascena · Fundador e Diretor Criativo
O estúdio nasceu em 2020 como resposta à pasteurização da arquitetura brasileira contemporânea — e essa origem tem endereço: a casa dos bisavós de Michell, no interior. Foi ali que ele aprendeu que é na simplicidade das coisas que mora o extraordinário. Os rituais domésticos, a mesa longa, os materiais que envelhecem bem, o cheiro da lenha, o modo como a luz da tarde reorganiza o espaço.
Autodidata na origem e formado depois, Michell projeta com inteligência construtiva — materiais nacionais, rusticidade refinada, o brutalismo paulista traduzido para o cerrado. Assina, direta ou indiretamente, todos os projetos do escritório. É o filtro final antes de a casa sair da prancheta.
Valentina Mussi · Arquiteta
Valentina traz o cinema para dentro do desenho. Pra ela, o cinema é "a mais humana das artes" — e um bom projeto de casa se parece muito com uma boa cena: enquadramento pensado, luz projetada com intenção, tempo controlado entre a entrada e a revelação. Os projetos que ela toca costumam ter um percurso interno mais dramático que a média — a casa se revela em ato, não de uma vez.
Lucas Borges · Arquiteto
Lucas defende uma tese simples e cirúrgica: "forma e função só atingem a plenitude quando unidas à intenção". Ele é o rigor técnico do time, o que garante que a solução bonita também seja a solução que se executa bem, envelhece bem e cabe no orçamento. Nas reuniões de projeto, é o que puxa a discussão de volta pra realidade quando ela começa a flutuar.
Tiago Paulo · Arquiteto
Tiago é o herdeiro direto do modernismo tropical dentro do escritório. Ele projeta pra "povoar poeticamente a paisagem" — cobogó, brise, generosidade de beiral, ventilação cruzada, água próxima. Nas casas em áreas mais rurais e em terrenos com paisagem forte, é frequentemente a mão dele que aparece no partido inicial.
Lara Damascena · Diretora de Arte e Gerente de Marketing
Lara é a única que não veio da arquitetura pura — é engenheira civil com formação em Branding. E é justamente essa combinação que faz o MIDA parecer o MIDA para fora do prédio. A identidade visual, o cuidado com a apresentação de cada projeto, a forma como cada casa é fotografada e narrada — tudo passa por ela. Se a arquitetura é o que se constrói, o trabalho da Lara é o que faz o mundo enxergar.
Hamilton Borges e Giovanna Sorbara · Estagiários
Os estagiários não são estagiários por muito tempo — é uma decisão de estúdio. Hamilton e Giovanna estão aqui pra aprender a metodologia MIDA de dentro pra fora, e depois assumir projetos próprios. A formação técnica e teórica do estagiário é parte da entrega do escritório para o setor, não uma ajuda de custo pra desenhar rápido.
Como sete olhares viram um só estúdio
O que faz o MIDA funcionar não é a homogeneidade. É o oposto: cada projeto passa por lentes muito diferentes antes de chegar ao cliente. A Valentina puxa pro cinema, o Tiago pro tropical, o Lucas pro rigor, a Lara pro cuidado com a narrativa, o Michell pro filtro final que amarra tudo em coerência autoral.
O escritório é boutique por decisão consciente — poucos projetos por ano, longa maturação, presença de todos os sócios em todas as decisões-chave. Não é escalável. Não é a arquitetura mais lucrativa por metro quadrado. Mas é a única forma de manter o que assinamos como arquitetura de Pós-Luxo: simples, permanente, com curadoria em cada decisão.
Como escrevemos no manifesto: cabe um Brasil inteiro dentro da nossa casa. Cabe, porque tem gente diferente pensando junto o que ela precisa ser.








