"Há um gosto de vitória e encanto na condição de ser simples"
A frase de Lina Bo Bardi resume o que praticamos no MIDA quando falamos de pós-luxo: o simples bem resolvido produz um tipo de beleza que o excesso nunca alcança. Do SESC Pompéia à casa dos meus bisavós — uma reflexão pessoal sobre o valor que se sustenta.
"Há um gosto de vitória e encanto na condição de ser simples." — Lina Bo Bardi
A frase resume muito bem o que eu acredito como arquitetura e o que praticamos no MIDA quando falamos de pós-luxo: o simples bem resolvido produz um tipo de beleza que o excesso nunca alcança.
O que Lina provou no SESC Pompéia
A própria Lina provou isso no SESC Pompéia: ela manteve o tijolo aparente e o concreto cru entregando um dos edifícios mais celebrados da arquitetura brasileira.
A matéria era simples. A inteligência sobre ela era extraordinária.
Eu aprendi essa lição antes de estudar arquitetura
Aprendi na casa dos meus bisavós. Ali, cada objeto que faltava era criado pelo meu bisavô com as próprias mãos. Quase não existiam materiais caros — e mesmo assim, sobrava valor. Afinal, cada peça nascia de uma necessidade da família.
E é exatamente isso que o pós-luxo defende. Ele é o estágio que vem depois do luxo tradicional — quando o caro e o raro já perderam a graça. A partir daí, o valor de um espaço passa a se sustentar em parâmetros mais exigentes:
- A procedência dos materiais,
- A recusa aos modismos,
- A originalidade da solução,
- A raiz cultural.
Por que o "simples" exige mais domínio, não menos
O mercado costuma ler o simples como falta de repertório — quando na obra acontece exatamente o contrário. Soluções tidas como "simples" exigem muito mais domínio técnico e um projeto muito bem detalhado.
São materiais que não deixam margem para esconder erros. Não aceitam desaforo. E isso exige muito mais conhecimento, tanto de quem projeta quanto de quem executa, do que aplicar o que já é comum e repetidamente usado.
Defender esse caminho exige pegar os códigos culturais de território, de geografia, da cultura — e elevar a um nível de capital cultural. Exige vencer a insegurança de sentir que o valor do seu projeto se prova pelo empilhamento de materiais caros.
E quem vence essa insegurança projeta casas com um valor inquestionável — principalmente com maior valor de mercado, uma vez que o imóvel não sofre depreciação por obsolescência estética.
Porque sim: o simples é suficiente e, justamente por isso, extraordinário.




